Brumadinho tem 99 mortos e 259

Brumadinho tem 99 mortos e 259 desaparecidos, segundo Defesa Civil

São Paulo – A Defesa Civil informou que o desastre de Brumadinho (MG) tem no momento confirmados 99 mortos, dos quais 57 foram identificados, e 259 desaparecidos.

Os dados foram atualizados no final da tarde desta quarta-feira (30) em entrevista coletiva.
Não houve a informação de quantos destes são funcionários da Vale. A orientação é que as famílias não compareçam ao IML e, sim, comuniquem-se via internet e redes sociais.
“Em todo o trajeto do rejeito existem militares dos bombeiros trabalhando em tempo integral desde as 4 horas da manhã e ao longo do dia em toda a extensão”, disse o Tenente Coronel Flávio Godinho, coordenador-adjunto da Defesa Civil, sobre a busca.
Segundo a Defesa Civil, cinco dias após o desastre causado pelo rompimento da barragem, ainda há regiões de Brumadinho que sofrem com a falta de energia.
A barragem B6, com água, segue monitorada 24 horas por dia, segundo o órgão, sem risco de rompimento. Um plano de contingência, entretanto, foi elaborado de forma preventiva.
O tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, disse que o foco das buscas está na área do refeitório e que a expectativa é que novos corpos sejam encontrados lá amanhã.
Ele disse que a lama é um dos locais mais desafiadores para este tipo de trabalho já que não permite a utilização de maquinário pesado.

 

Bombeiros trabalham com atraso salarial em Brumadinho

Bombeiros trabalham com atraso salarial em Brumadinho

Os bombeiros militares de Minas Gerais vem trabalhando em Brumadinho com atraso salarial. Desde 2016, quando o estado declarou calamidade financeira, os salários de todos os funcionários públicos vem sendo parcelados e o 13° salário de 2018 foi adiado, e será pago em 11 parcelas ao longo do ano.

No último dia 28 de dezembro o governo de Minas Gerais anunciou que adiaria o pagamento do 13° salário por não ter recebido um aporte de 200 milhões de reais do governo federal. Naquela ocasião, o governo, ainda dirigido por Fernando Pimentel (PT), mas sob comando da transição para Romeu Zema (Novo) também reclamou de não ter arrecadado 500 milhões de reais com o leilão de securitização das dívidas do estado.
No dia seguinte à declaração do governo, no dia 29 de dezembro, a Associação dos Oficiais da Polícia Militar e Bombeiros Militares (AOPMBM) criticou a notícia dada pelo então governador-eleito Romeu Zema, que decidiu dividir o 13° salário dos policiais e bombeiros militares em onze parcelas. “Essa notícia conseguiu piorar o que já era ruim”, disse a nota de desagrado. “Parece que a Governança não quer enxergar o caos que a medida acarreta. Famílias estão endividadas, com a renda comprometida, problemas de saúde dos servidores decorrentes desta situação e, a desmotivação começa dar sinais no quartéis na prestação da segurança pública”, disse a nota.
Após a tragédia em Brumadinho, os militares voltaram a criticar a atuação do governo estadual. “Atualmente, parece que estamos no Estado absolutista, onde prospera a vontade do Chefe do Poder em detrimento de seus Servidores. Estamos pagando uma conta muita alta pela má gestão dos políticos anteriores. Destarte é o Executivo que faz a máquina estatal funcionar: arrecadar, fiscalizar, educar e promover a saúde, policiar e socorrer vítimas da tragédia de Brumadinho, para usar um exemplo recente”, completou a nota assinada pelo Coronel PM Ailton Cirilo da Silva, presidente da AOPMBM.
Minas Gerais tem 80% de sua receita líquida vai para o gasto com o funcionalismo público. No final de 2018, eram 609 000 servidores públicos no estado.

 

O que significa, na prática, a decisão da Vale de acabar com barragens como as de Brumadinho

O que significa, na prática, a decisão da Vale de acabar com barragens como as de Brumadinho

A decisão da mineradora Vale de paralisar operações de exploração de minério e desativar dez barragens que usam método de armazenamento de rejeitos similar ao da mina Córrego do Feijão, que rompeu na semana passada em Brumadinho (MG), foi classificada pelo presidente da empresa, Fábio Schvartsman, de “plano definitivo” e “drástico”.

A medida prevê, na prática, aposentar o método de barragem a montante – igual à de Brumadinho, que é considerado mais barato e de licenciamento mais fácil, mas também o menos seguro. Nele, os alteamentos (ou seja, a ampliação da estrutura de contenção) são feitos com o próprio rejeito.
Barragens são estruturas que contêm rejeitos de operações de beneficiamento de minério de ferro, feitas com o uso de água e produtos químicos. Para ampliar a capacidade de armazenamento dessas estruturas há três tipos de métodos mais comuns: além da montante, há a jusante – que usa outros materiais, como pedras e argila para conter os rejeitos – e linha de centro – que é uma mescla dos dois métodos.

“(A decisão da Vale) significa que eles irão usar apenas barragens com alteamento pelos métodos de linha de centro e jusante. Além disso, vão partir para deslamagem e para técnicas alternativas”, afirma o engenheiro e professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Eduardo Marques.
No entanto, a medida não é imediata e ainda depende de licenciamento ambiental. Segundo Schvartsman, os processos de interrupção e desativação já estão prontos e serão enviados para licenciamento do órgão ambiental nos próximos 45 dias. Se aprovados, devem durar de um a três anos.
A decisão da empresa tampouco a deixa imune a novos acidentes – apesar de ter conseguido autorização para expandir a operação em dezembro do ano passado, a barragem de Brumadinho não recebia rejeitos desde 2015 e, ainda assim, virou o mar de lama que deixou centenas de desaparecidos e, até a tarde desta quarta-feira, 84 mortos.
A operação de desativação das barragens precisa ser revista, monitorada e fiscalizada com rigor, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.

 

Apesar de serem mais seguros

Apesar de serem mais seguros, os métodos a jusante e linha de centro podem causar impacto ambiental maior na hora da construção, com, por exemplo, maiores áreas desmatadas.
Para a engenheira Rafaela Baldí, a decisão da Vale não necessariamente leva a mais segurança.
Segundo ela, prevalece “o entendimento equivocado de que banir um método resolve um acidente ou vários”.
Baldí diz que barragens de rejeitos que usam o método montante registraram mais acidentes que as que fizeram o alteamento com base nos outros dois métodos. Mas, segundo a engenheira, não se tem informações sobre maioria dos 268 acidentes catalogados entre 1910 e 2001 – não se sabe, portanto, se essas barragens eram ou não do modelo a montante.

Ela cita o levantamento do Comitê Internacional de Barragens de Grande Porte (ICOLD, na sigla em inglês) contabilizou 87 acidentes em barragens a montante, 27 a jusante e 11 por linha de centro. Há ainda 110 casos sem informação e outros contabilizados como retenção de água.
“A falta de investigação, de informações e de lições apendidas ainda são os maiores vilões da geotecnia”, diz Rafaela Baldí.
A engenheira afirma que todos os métodos têm risco se mal projetados, executados e monitorados – e igualmente podem ser seguros se bem feitos e fiscalizados. E, ainda segundo ela, é melhor investir em produção de informação e de conhecimento sobre causas de acidentes em vez de banir um ou outro método de represamento de resíduos.
Impacto econômico
O processo de paralisação da produção e do uso das barragens também representa impacto econômico para a empresa. A operação deve custar cerca de R$ 5 bilhões.
Ao descontinuar as barragens similares à que rompeu em Brumadinho, a Vale afirma que vai cortar até 10% da produção de minério por ano, o equivalente a 40 milhões de toneladas.

Ao mesmo tempo, a decisão de mudar o método de estocagem de rejeitos pode representar também novos tipos de negócios para a Vale.
O professor da UFV Eduardo Marques lembra que, pouco antes do rompimento da barragem em Brumadinho, a Vale tinha anunciado a compra de uma empresa brasileira que desenvolve novas formas de mineração, entre elas a seco – o que elimina a necessidade de barragens para conter os resíduos fruto do processo de beneficiamento que usa água.
A New Steel, startup brasileira que usa separadores magnéticos para beneficiar o minério, foi comprada por US$ 500 milhões ( R$ 1,9 bilhão) em um negócio anunciado em dezembro e autorizado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A empresa também desenvolve uso alternativo para os rejeitos – entre eles, na construção civil.
E as outras barragens?
Não há garantia, contudo, que outras mineradoras que operam usando a mesma técnica de barragem vão adotar as mesmas medidas que a Vale.
Pressão não falta. Depois que a barragem da mina do Fundão se rompeu em Mariana, há três anos, o Ministério Público Federal em Minas Gerais enviou uma recomendação à Agência Nacional de Mineração, o antigo Departamento Nacional de Produção Mineral, para que não autorizasse mais novas barragens a montante no Brasil, alegando que a técnica é insegura.

Uma portaria chegou a ser publicada na tentativa de dificultar novos empreendimentos, mas pouco foi feito para tratar das barragens em operação ou já desativadas.
Na Assembleia Legislativa de Minas, está parado o projeto de lei que propõe endurecer as regras de licenciamento para barragens de mineração.

 

Preço do minério de ferro dispara após rompimento de barragem da Vale

Preço do minério de ferro dispara após rompimento de barragem da Vale

O preço do minério de ferro disparou, nesta quarta-feira (30), após o rompimento da barragem da Vale na mina do Córrego do Feijão, que deixou, até agora, 84 mortos e 276 desaparecidos e levou a empresa a limitar sua produção em várias unidades.

No mercado de Singapura, o preço da tonelada de ferro disparou, até 87,50 dólares, seu mais alto nível em dois anos. Desde o episódio de sexta-feira, os preços subiram mais de 10%.
Ontem, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, anunciou que a companhia vai desativar, em dez de suas plantas no Brasil, estruturas similares à barragem rompida em Brumadinho.
Essas intervenções podem reduzir em 40 milhões de toneladas a produção anual de minério de ferro da Vale, uma queda de 10%, disse Schvartsman em uma entrevista coletiva em Brasília, após uma reunião com o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, e com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
A queda da produção deve ser “parcialmente” compensada por um aumento da extração em outras unidades, mas a Vale “ainda não dispõe” de uma avaliação nesse sentido, disse um porta-voz do grupo à AFP.
“As operações de minério de ferro no Brasil são muito importantes para a oferta mundial, porque o país representa 20% da produção mundial”, afirmou o analista Joshua Mahony, da IG.

Segundo esse especialista, a investigação do acidente pode levar a deter a produção em um número significativo de minas, uma perspectiva que contribui para o aumento de preços desse metal, usado na produção de aço.
O níquel também subiu de preço em um contexto, no qual alguns observadores avaliam que o desmantelamento de plantas da Vale poderá afetar este metal, afirmou o corretor Alastair Munro, da Marex Spectron.
A alta de preço dos metais beneficiava as mineradoras nos mercados hoje. Em Londres, as ações dos gigantes do setor subiam, como as da BHP (+2,36%, às 10h25, horário de Brasília), da Rio Tinto (+2,45%) e da Anglo American (+2,46%).

O perigo à saúde que vem da lama de Brumadinho

 

O perigo à saúde que vem da lama de Brumadinho

O perigo em Brumadinho não se limita ao possível rompimento de novas barragens na região. A lama que arrastou parte da mina da Vale, construções e estradas traz consigo riscos imediatos e futuros à saúde para quem teve contato com o barro e também quem vive próximo ao rio Paraopeba.
Médicos ouvidos pela BBC News Brasil alertam para o risco de infecções, contaminações e, num futuro próximo, até de câncer e doenças autoimunes.
“As doenças infectocontagiosas ou parasitárias podem surgir agora. Como é barro, é córrego, pode ter leptospirose, aumento da dengue e de febre amarela”, afirma o médico Marcelo Lopes Ribeiro, diretor assistencial da Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais).

Ribeiro observa ainda que há substâncias químicas e tóxicas no local, o que aumenta o risco de contaminações e intoxicações.
O médico Luis Fernando Correia, comentarista da rádio CBN e do canal de TV GloboNews, afirma que, além das doenças a curto prazo, há o risco de exposição a elementos químicos que podem ser altamente prejudiciais à saúde a médio e longo prazo.
“A qualidade da água dos rios e dos peixes precisam ser monitorados e a população da região precisa ser acompanhada. Daqui a dez anos podem surgir casos de câncer e de doenças autoimunes e podemos não associá-las ao rompimento da barragem”, afirma Correia.
Produtos químicos na lama
O médico cita um estudo da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) que identificou 13 elementos químicos, entre eles níquel, magnésio e cádmio, usados na mineração na região do quadrilátero ferrífero em Minas.
“São chamados elementos traço e mesmo em quantidade pequena podem ser prejudiciais. O problema é que não é possível medir qual a concentração a qual as pessoas foram expostas”, avalia Correia.

O geólogo Bráulio Magalhães Fonseca, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), diz que rejeito de mineração contém, basicamente, óxido de ferro, amônia, muita sílica, silte e argila. Barragens muito antigas podem ter elementos altamente tóxicos.
“Podem conter até mercúrio e arsênio”, afirma o professor.
Somam-se a isso outras substâncias armazenadas nos galpões da Vale e até mesmo as que estavam no caminho por onde a lama passou.
“Os rejeitos que chegam aos rios da região podem contaminar a fauna e a flora, eventualmente afetando a cadeia alimentar. Para os humanos os riscos são, principalmente, o consumo de peixes que tenham tido contato com os resíduos e rejeitos acumulados no fundo dos rios. Os resultados poderão ser percebidos somente daqui a décadas”, diz Luis Fernando Correia.
O médico Marcelo Ribeiro conta que alguns dos seis sobreviventes da tragédia atendidos no hospital João XXIII chegaram a engolir lama e apresentaram irritação ocular. O serviço de toxicologia do hospital pediu à Vale, dona da mina, a lista de substâncias para tentar medicar os pacientes, mas que até então não tinha sido enviada.
“Falaram que está em estudo”, diz Ribeiro.

A Vale está fazendo uma análise laboratorial do rejeito para saber se o material representa risco para a saúde. O laudo deve ficar pronto em até 15 dias.
Nesta terça-feira, o coordenador-adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, tenente-coronel Flavio Godinho, chegou a dizer que alguns bombeiros tiveram intoxicação por causa do contato com a lama em Brumadinho.
Mas o Corpo de Bombeiros explicou que os militares estão tomando medicamentos para minimizar os efeitos do contato com material orgânico.
“Esses medicamentos podem ocasionar náuseas e diarreia. São efeitos colaterais”, explicou a corporação, por meio da assessoria de imprensa.

Desastre em Brumadinho deve gerar pressão sobre Vale e Bolsonaro, avalia Fitch

 

Desastre em Brumadinho deve gerar pressão sobre Vale e Bolsonaro, avalia Fitch

(Reuters) – O desastre gerado pelo rompimento na semana passada de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG) vai gerar forte pressão não somente sobre a companhia, mas também sobre o presidente Jair Bolsonaro, que deve enfrentar demandas por mudanças regulatórias no setor de mineração, avaliou a consultoria de análise macroeconômica Fitch Solutions.

“Além da Vale, haverá uma pressão crescente sobre o governo brasileiro para mudanças que poderiam levar a uma regulação maior sobre minas de rejeitos. O presidente Jair Bolsonaro provavelmente enfrentará substancial pressão pública… embora ele siga amplamente comprometido em cortar regulações sobre a indústria brasileira, ele também se mostrou suscetível à pressão popular anteriormente”, escreveu Fitch no material.
Na sequência do desastre, a Vale anunciou na véspera um plano para descomissionar por iniciativa própria suas dez barragens rejeitos a montante, o que pode levar até três anos.
A análise da Fitch Solutions avalia ainda que, além dos custos e consequências do incidente em Brumadinho, incluindo indenizações, a Vale deverá agora ver maiores riscos em ação aberta por acionistas contra a companhia pelo rompimento em 2015 da barragem de Fundão, em Mariana (MG), operada pela Samarco, joint venture da mineradora com a BHP.
“Embora nenhuma decisão tenha sido tomada, a pressão sobre a Vale será agravada pelos eventos recentes, uma vez que a maior produtora de minério de ferro do mundo pode estar a caminho de uma severa punição”, aponta o relatório.

Após o rompimento em Brumadinho, um escritório de advocacia entrou com nova ação contra a Vale e executivos da companhia nos Estados Unidos, sob alegação de que a mineradora mentiu ou omitiu informações sobre suas operações dos investidores, causando a eles enormes perdas financeiras depois do incidente.
A Vale afirmou em nota que pretende se defender de forma “vigorosa” após um escritório de advocacia ter ajuizado petição junto à Justiça dos Estados Unidos em que pede abertura de class action contra a companhia e seus principais executivos.

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