Derretimento polar já afeta os ursos do Mar de Barents

Derretimento polar já afeta os ursos do Mar de Barents

Expedição em Svalbard, feita pela WWF com o Instituto Polar Norueguês, mostra que a situação no Ártico é preocupante

OSLO – “Esta senhora fez uma viagem muito interessante”. O investigador do Instituto Polar Norueguês Benjamin Merkel mostra uma animação em seu computador para um público excepcionalmente ocupado. Na tela um ponto vermelho que muda de vermelho para amarelo se move em torno de um mapa do Mar de Barents, no Ártico ao norte da Escandinávia. A audiência é uma equipe da WWF- Canon e estão navegando através do arquipélago de Svalbard, no extremo oeste do Mar de Barents. Na tela o que se move são ursos polares.

O urso mostrado por Benjamin cruzou, em abril passado, com o helicóptero do Instituto Polar Norueguês em um fiorde de Svalbard. Os biólogos o sedaram a partir do ar e colocaram um colar com um transmissor de satélite. Apesar de os ursos de Svalbard formarem parte da população do Mar de Barents (cerca de 2.500 compartilhados com a Rússia ), muitos são locais e permanecem sempre no arquipélago. Mas desta vez tiveram uma surpresa: o urso logo tomou seu curso, e avançou em direção às ilhas russas de Franz Josef Land.

Na animação se vê como a falta de gelo o impediu de chegar às ilhas e seguindo ao longo da borda do gelo acabou preso em outra ilha russa, que fica a 1.500 milhas de Svalbard. Ele tentou em vão atingir o gelo várias vezes. No final do outono, com a volta do gelo, foi capaz de chegar a Terra de Francisco José para entrar em um esconderijo, provavelmente para dar à luz seus filhotes: No total, uma viagem de 3.700 km .

– Antes, os ursos tinham uma área de gelo mais ou menos previsível para viajar, mas aqui nós vemos como as mudanças no gelo os obrigam a modificar os seus movimentos . Portanto acredito que chegou tão tarde ao esconderijo, em meados de novembro, explicou o pesquisador alemão Merkel.

Obter essa informação valiosa seria impossível sem o trabalho dos cientistas do Instituto Polar Norueguês, que têm acompanhado nestes dias em Svalbard. Os biólogos de campo Magnus Andersen e Jon Aars, passaram mais de uma década excursionando quatro semanas por ano nas paisagens selvagens do arquipélago, em busca de ursos polares.

São muitas horas de vôo em condições nada fáceis, uma tarefa custosa, mas essencial para entender como esta espécie majestosa está respondendo ao rápido aquecimento do Ártico- disse Magnus Andersen.

Alimentação, descanso e refúgio no gelo

O urso polar é um animal único, um grande predador terrestre que aprendeu a viver no mar, e depende do gelo marinho para caçar. Sua presa favorita, focas aneladas, prosperam em águas cobertas de gelo sobre a plataforma continental, em águas rasas e muito produtivas. Há comida, lugar de descanso e abrigo para dar à luz seus filhotes. E os ursos estão onde as focas são abundantes.

Cruzando os dados sobre o deslocamento dos 350 ursos marcados em Svalbard desde 1988, com dados de satélite sobre o gelo do mar, Benjamin Merkel desenvolveu um modelo que identifica o ideal para os ursos no habitat de Barents. O modelo mostra como o habitat ideal (o gelo do mar) está se movendo rapidamente para o norte: em Svalbard, localizado ao sul da faixa, há menos dias por ano com bom gelo marinho para caçar. A questão é saber se o habitat de ursos pode simplesmente mudar para o norte quando o gelo recua.

– Nós teríamos que assumir que o novo habitat tem a mesma qualidade de caça no passado, mas eu não acho que isso seja verdade. Provavelmente suas presas não vão se comportar como os ursos- diz Benjamin.

Fonte: El mundo

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