Tiros e agressões de tropas venezuelanas

Tiros e agressões de tropas venezuelanas atingiram o Brasil

O Exército brasileiro registrou que tiros de armas de fogo e outras agressões de militares da Venezuela atingiram o lado do Brasil na fronteira neste sábado, 23. As tropas da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) tinham como alvos manifestantes, do lado venezuelano, que pediam o ingresso da ajuda humanitária do Brasil e dos Estados Unidos. Um grupo deles havia atacado a guarnição militar da Venezuela na região.

Em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, o coronel José Jacaúna confirmou e lamentou o episódio. Até o momento, a assessoria de imprensa do Palácio Planalto não respondeu ao questionamento de VEJA sobre essa situação. O governo brasileiro assinalara, na sexta-feira 22, que as forças brasileiras não agiriam contra a Venezuela, a não ser que houvesse agressão à soberania do país.

Os distúrbios na fronteira, em Pacaraima (RR), acentuaram-se ao anoitecer, quando um grupo de 50 jovens venezuelanos jogaram coquetéis molotov e pedras contra militares do lado venezuelano. No local estavam outras 500 pessoas, que se dispersaram quando as tropas atiraram com armas de fogo lançaram bombas de gás lacrimogêneo. Os manifestantes atearam fogo ao matagal em volta do posto do Exército venezuelano, onde havia dois veículos estacionados, que foram impactados pelos artefatos caseiros e também acabaram incendiados.

Antes do início desses distúrbios, os dois caminhões com alimentos e kits de primeiros socorros doados pelo Brasil e pelos Estados Unidos foram retirados na fronteira.

Na cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén, a 15 quilômetros da fronteira, houve incidentes violentos durante a tarde. A Prefeitura confirmou a morte de quatro pessoas. Outras 25 ficaram feridas. Parte delas foi transferida para Pacaraima e, de lá, para Boa Vista. O governo de Roraima informou na noite de sábado que os militares venezuelanos passaram a impedir o transporte de feridos para o Brasil. O número de vítimas fatais poderá, portanto, aumentar.

No total, 16 venezuelanos foram atendidos em hospitais públicos de Roraima. Olnar Ortiz, ativista na região da organização não governamental Fórum Penal, detalhou que uma das vítimas fatais foi baleada na cabeça. Dentre esses feridos, cinco estão internados em estado grave no Hospital Geral de Roraima, em Boa Vista. Na sexta-feira, os hospitais de Roraima já haviam recebido manifestantes feridos da comunidade indígena de Kumarakapai, do lado venezuelano, a cerca de 80 quilômetros de Pacaraima.

Os confrontos se deram no contexto do ingresso da ajuda humanitária internacional, convocada pelo autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó para ingressar no país neste sábado.

Houve graves incidentes também na fronteira com a Colômbia, onde três dos 10 caminhões conseguiram cruzar a divisa. Dois deles acabaram incendiados por ordem de Caracas. Em desafio à iniciativa de Guaidó, o líder venezuelano Nicolás Maduro, determinara o fechamento das fronteiras do país e as reforçaram com contingentes militares.

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Conflito na fronteira com Venezuela deixa 2 mortos; 5 feridos atendidos no Brasil

Ao menos duas pessoas morreram, uma delas um adolescente de 14 anos, e 31 ficaram feridas, em distúrbios registrados na fronteira entre a Venezuela e o Brasil, para onde foram levados cinco feridos, informaram o porta-voz de um grupo de direitos humanos e autoridades brasileiras.

“Os dois mortos são resultantes da repressão de de militares durante distúrbios em Santa Elena de Uairén. Ambos morreram por impactos de bala, um deles na cabeça”, declarou à AFP Olnar Ortiz, ativista na região da ONG Fórum Penal, crítica ao governo de Nicolás Maduro.

Os distúrbios foram registrados em dois pontos de Uairén, onde militares venezuelanos bloqueavam a entrada de ajuda humanitária. Moradores favoráveis à entrada da carga ergueram barricadas nas ruas para evitar o avanço dos militares rumo à fronteira.

Duas ambulâncias transportando cinco venezuelanos feridos a bala em confrontos com as forças de segurança entraram na cidade brasileira de Pacaraima, informaram autoridades brasileiras.

Dois feridos foram levado para o Hospital Geral de Roraima, na capital Boa Vista, a 215 km de Pacaraima, e outros três estão a caminho de outro centro hospitar, informou a secretaria do governo da Roraima.

O estado de saúde dos cinco é grave, segundo a fonte.

A médica venezuelana Carla Servitá, que viajou em uma das ambulâncias, disse à imprensa que mais feridos são esperados devido aos violentos confrontos em Santa Elena de Uairén, a 20 km da fronteira.

O deputado venezuelano Luis Silva informou que os confrontos na fronteira deixaram quatro mortos e mais de dez feridos.

Os relatos falam de violentos confrontos entre habitantes e membros da Guarda Nacional Bolivariana em Santa Elena de Uairén.

“A coisa está feia no centro. Há tanques, eles nos atacam e nós atacamos os tanques”, contou um habitante que não quis se identificar, falando por telefone com a AFP.

Outra pessoa da área disse que, segundo uma enfermeira do Hospital Rosário Vera Zurita, em Gran Sabana, território venezuelano, há 19 feridos.

“Há uma atmosfera tensa, os tanques ainda estão lá e a maioria dos habitantes agora está nas proximidades do hospital”, afirmou.

As ambulâncias brasileiras conseguiram entrar no território venezuelano apesar de a fronteira venezuelana permanecer oficialmente fechada desde quinta-feira por ordem do presidente Nicolás Maduro.

Na véspera, várias ambulâncias cruzaram a fronteira para o Brasil levando 13 feridos.

A fronteira Brasil e Venezuela fechada

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